1º Bimestre

2º Bimestre

Mostrando postagens com marcador Leitura e Produção de Texto - 1º Bimestre. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Leitura e Produção de Texto - 1º Bimestre. Mostrar todas as postagens

Leitura e Produção de Texto - 1º Bimestre (semana 7)

A Escrita e a Cultura


Cultura:
A palavra cultura abrange várias formas artísticas, mas define tudo aquilo que é produzido a partir da inteligência humana. Ela está presente desde os povos primitivos em seus costumes, sistemas, leis, religião, em suas artes, ciências, crenças, mitos, valores morais e em tudo aquilo que compromete o sentir, o pensar e o agir das pessoas.

Os elos entre língua escrita, sociedade e cultura podem ser objeto de análise sob diferentes pontos de vista. Dois deles, que não se opõem, mas se complementam, impõem-se de imediato. Um primeiro ponto de vista, que aqui apenas se menciona e não se privilegia, focaliza, fundamentalmente, a diacronia das conexões entre escrita, sociedade e cultura. 

 Desse ponto de vista, a busca dos elos entre língua escrita, sociedade e cultura volta-se para os momentos históricos e aspectos antropológicos da emergência e progressiva socialização da língua escrita em sociedades e culturas, analisando as características da oralidade anterior à escrita, os processos de transição da oralidade à escrita, os processos de mudanças sociais, cognitivas e comunicativas resultantes da introdução da língua escrita em sociedades de “oralidade primária”, as práticas de leitura e de escrita em diferentes épocas e diferentes grupos sociais, os processos históricos de acumulação, difusão e distribuição do material escrito, o surgimento da imprensa e seus efeitos, etc.


Tipos e Gêneros Textuais


Gêneros textuais são instrumentos de interação e como tais participam do processo de apropriação social do conhecimento. É impossível a comunicação verbal sem a intermediação de um gênero textual, a exemplo do que ocorre agora, em que você lê esta sinopse, gênero textual que tem como objetivo oferecer uma visada, ao mesmo tempo, sobre o conteúdo de um objeto, como uma aula. Por meio dos gêneros, recorda-se, ordena-se, informa-se, solicita-se, reclama-se... Enquanto os gêneros são formas textuais presentes no cotidiano, o tipo textual designa uma espécie de construção teórica, definida pela natureza linguística de sua composição (aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas). 

Até que ponto gêneros textuais podem ser aproximados é uma questão que tem sido abordada em vários trabalhos, por exemplo, Marcushi, 2003.

Ao iniciar este artigo podemos definir um texto através de duas formas:

1º na organização ou estruturação, isto é, um objeto de comunicação entre um destinador e um destinatário, portanto é um objeto de significação.

2º o texto encontra seu espaço entre os objetos culturais, inserido numa sociedade e determinado por ideologias especificas. Neste caso, é necessário analisar o seu contexto sócio-histórico.

Nestas considerações o texto torna-se objeto de comunicação entre dois sujeitos, criando assim a possibilidade de aplicação da análise externa do texto.
Os gêneros textuais aqui apresentados (narrativos, descritivo e dissertativo) estão vinculados ao letramento, portanto discutiremos sua função social que a nosso ver é preparar o homem para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
  1. GÊNEROS TEXTUAIS COMO PRÁTICAS SÓCIO-HISTÓRICAS.
Segundo Marcuschi os gêneros textuais são fenômenos históricos, profundamente vinculados à vida cultural e social, portanto, são entidades sócio-discurssivas e formas de ação social em qualquer situação comunicativa.

Caracterizam-se como eventos textuais altamente maleáveis e dinâmicos.
Passemos para uma simples observação histórica do surgimento dos gêneros que revela um conjunto limitado dos mesmos. Após a invenção da escrita alfabética por volta do século VII a.C., multiplicam-se os gêneros, surgindo os tipos da escrita; os gêneros expandem-se com o surgimento da cultura impressa e atualmente a fase denominada cultura eletrônica, particularmente computador (internet) aparece como uma explosão de novo gênero e forma de comunicação, tanto na oralidade como na escrita.

Os gêneros textuais caracterizam-se muito mais por suas funções comunicativas; cognitivas e institucionais, do que por suas peculiaridades lingüísticas e estruturais.
Este artigo trás estudos sobre três gêneros textuais relacionados ao meio de comunicação e analisa-os em sua funcionalidade, apontando aspectos de interesse do educador e do educando.
  1.  DEFINIÇÃO E FUNCIONALIDADE.
Muito se tem falado sobre a diferença entre “tipos textuais” e “gêneros textuais”.
Alguns teóricos denominam narração; descrição e dissertação como “modos de organização textual”, diferenciando-os das terminologias que são considerados “gêneros textuais”.
Partindo desse pressuposto e pautando-se no estudo de Marcuschi definimos a seguir:
  1. Tipos textuais: seqüência definida pela natureza lingüística de sua composição (narração, descrição e dissertação);
  2. Gêneros textuais: são os textos encontrados no nosso cotidiano e apresentam características sócio-comunicativas (carta pessoal ou comercial, diários, agendas, e-mail, orkut, lista de compras, cardápio entre outros).
Com referência a Bakhtin (1997), concluímos que é impossível se comunicar verbalmente a não ser por um texto e obriga-nos a compreender tanto as características estruturais (como ele é feito) como as condições sociais (como ele funciona na sociedade).
  1. TIPOS TEXTUAIS VOLTADOS PARA AS FUNÇÕES SOCIAIS DOS TEXTOS.
    1. Informativos;
    2. Expositivos;
    3. Numerados;
    4. Prescritivos;
    5. Literário;
    6. Argumentativo.

Segundo Bakhtin (1997), os gêneros são tipos relativamente estáveis de enunciados elaborados pelas mais diversas esferas da atividade humana. Por essa relatividade a que se refere o autor, pode-se entender que o gênero permite certa flexibilidade quanto à sua composição, favorecendo uma categorização no próprio gênero, isto é, a criação de um subgênero.
  1. TIPOS TEXTUAIS COMO FERRAMENTA.
Para Bakhtin (1997), quando um indivíduo utiliza a língua, sempre o faz por meio de um tipo de texto ainda que possa não ter consciência dessa, ou seja, a escolha de um tipo é um dos passos- se não o primeiro- a ser seguido no processo de comunicação.

Por isso, os tipos textuais podem ser uma ferramenta que está a disposição do falante, sendo por ele escolhidos da maneira que melhor lhe convém para, no processo de comunicação, auxiliá-lo na sua expressão lingüística.

Tomar um tipo textual como uma estrutura básica normalmente usada em uma determinada situação o torna uma valiosa “ferramenta” que o falante procura, guia e controla para poder expressar a função maior da linguagem que é atingir uma comunicação, em maior ou menor grau argumentativo, ou seja, uma comunicação cujo objetivo é efetivamente alcançado e concretizado; daí dizer que a argumentação está inscrita no uso da língua.

5 OBSERVAÇÕES SOBRE GÊNEROS TEXTUAIS:

O presente trabalho fundamenta-se teoricamente em reflexões feitas por Bakhtin (2000), Marcuschi (2002), Bronckart (1999) entre outros.
De acordo com diversas pesquisas voltadas para a questão dos gêneros textuais e segundo os autores citados acima, já se tornou evidente que os gêneros são fenômenos históricos ligados à vida cultural e social, os quais contribui para a ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do dia-a-dia.

Bronckart (1999) diz “Conhecer um gênero de texto também é conhecer suas condições de uso, sua pertinência, sua eficácia, ou de forma mais geral, sua adequação em relação às características desse contexto social.” (BRONCKART, 1999, p. 48).
Como afirmou Bronckart (1999) “a apropriação dos gêneros é um mecanismo fundamental de socialização, “o que permite dizer que os gêneros textuais operam como formas de legitimação discursiva.

QUADRO 1 – Tipos de composição textual:

 Descrição Narração Dissertação
(é um texto narrativo com predomínio de verbos de ligação que retratam detalhadamente personagens, ambientes e objetos). (texto narrativo em 1ª ou 3ª pessoa que contém enredo, conflito, cenário, tempo e espaço com predomínio de verbos de ação, portanto o diálogo direto é freqüente). (é um texto de defesa de um argumento “tese” que possui introdução, desenvolvimento e conclusão; a linguagem é objetiva prevalecendo à denotação; ele pode ser expositivo ou argumentativo de caráter científico).
  • retrato de pessoas, ambientes, objetos;
  • predomínio de atributos;
  • uso de verbos de ligação;
  • freqüente emprego de metáforas, comparações e outras figuras de linguagem;
  • tem como resultado a imagem física e psicológica.
  • relato de fatos;
  • presença de narrador, personagens, enredo, cenário, tempo;
  • apresentação de um conflito;
  • uso de verbos de ação;
  • geralmente, é mesclada de descrições;
  • o diálogo direto é freqüente.
  • defesa de um argumento;
  • apresentação de uma tese que será defendida;
  • desenvolvimento ou a argumentação;
  • fechamento:
  • predomínio da linguagem objetiva;
  • prevalece
denotação.
Fonte: CAMPEDELLI; SOUZA, 2004, p. 348.

CONCLUSÃO
Todos os textos surgem na sociedade e pertencem a gêneros textuais que se relacionam com atividades sociais específicas, portanto ele deve ser produzido e utilizado para atingir um objetivo almejado.
Muitos dos gêneros textuais são rotulados quanto a sua estrutura e organização ganhando assim uma significação.

O trabalho com gêneros e tipos textuais faz compreendermos as características estruturais de um texto e também as condições sociais que levam ao funcionamento e ao bom êxito de seu uso, por outro lado não podemos esquecer que a criatividade é uma ferramenta que deve ser levada em consideração.

É claro que contamos com uma imensidão de gêneros textuais existentes na sociedade e que, conforme as necessidades dessa sociedade novos gêneros surgem e antigos desaparecem de acordo com suas funções lingüísticas e sociais no qual o mercado de trabalho está inserido no contexto sócio-histórico.

Concluímos que todo texto é um meio de comunicação e que diferem os gêneros e tipos textuais de acordo com sua funcionalidade que é flexível no processo de relacionamento social

Leitura e Produção de Texto - 1º Bimestre (semana 6)

O que faz de um texto um texto? Princípios da textualidade (I)

O que faz de um texto um texto? Princípios da textualidade (II)


Escrever, embora não seja agradável aos olhos de todas as pessoas, mesmo porque ‘generalizar’ seria um tanto quanto descabido, representa um ato social, haja vista a condição em que nos encontramos, como sendo seres eminentemente sociais, claro. Daí, apossando-nos dessa condição, eis que uma questão tende a ser relevante: se escrevemos, assim o fazemos para um interlocutor, ou seja, para o outro, e mais: se desejamos atingi-lo(a), é porque temos uma finalidade, um propósito.

Digamos então em alto e bom som, para que esse alguém, ora se encontrando do outro lado, compreenda-nos de forma efetiva, de algumas habilidades devemos dispor no instante em que estabelecemos a comunicação. Embora isso, para muitos, pareça ser complexo demais.

Entretanto, caro(a) usuário(a), não para você, que porventura também se enquadra nesse rol, haja vista que de forma criteriosa preparamos uma seção especialíssima, sim, especialíssima, somente para você que se mostra consciente de que independentemente de qual seja a circunstância comunicativa, seu discurso deve atender a alguns pontos norteadores, entre eles:

* Consegui ser claro(a) naquilo que pretendia dizer?

* Expressei-me de forma adequada, ou seja, propus-me a uma seleção criteriosa das palavras, cujos posicionamentos realmente fizeram com que eu atingisse meus objetivos?
* Mesmo falando em expressividade, será que minha linguagem se manifestou de forma simples? Simples não no sentido de fazer uso de coloquialismos, bem como de termos indevidos, tais como gírias, mas simples porque de uma forma precisa você conseguiu se posicionar de forma clara.

* Fui realmente original? Até porque, se usei da expressividade, brechas não se abririam para que a falta de originalidade resolvesse ocupar um “pontinha” de espaço. Apenas lembrando-se de que ser original significa ser claro(a) e preciso(a) sem usar de pedantismos vocabulares, sem “usufruir” de falsas erudições, pois não há nada mais constrangedor do que  falarmos e/ou escrevermos algum termo sem que nem mesmo nós saibamos o significado, concorda?

* A escolha das palavras se deu de forma correta? Nada de chavões, nada de lugares-comuns, modismos, enfim... Conseguiu ser elegante sem ser pedante, sem ser erudito ao extremo?


Leitura e Produção de Texto - 1º Bimestre (semana 5)

O que faz de um texto um texto? Metarregra de repetição e de progressão (I)

O que faz de um texto um texto? Metarregra de não contradição e de relação (II)


Como se sabe, um texto não é apenas um aglomerado de segmentos linguísticos dispostos no papel. É imprescindível, para sua organização, o atendimento a uma série de princípios, os quais vêm sendo estudados por especialistas ao longo de décadas.

As meta-regras de coerência

A coerência de um texto é garantida por quatro regras básicas. São elas: 

meta-regra da repetição: um texto coerente deve retomar elementos anteriormente mencionados. 
Ex.: Caio e Barbara aguardavam ansiosos pelo retorno de Jaqueline. Hoje, enfim, ela voltou!

meta-regra da progressão: em um texto coerente sempre há acréscimo de informações.
Ex.: O namorado não conseguia se expressar de forma alguma. Quanto mais tentava, mais próximo ao mistério Candinho se encontrava. Um dia, porém, cansado de ser estereotipado por seus amigos e namorada, mudou da água para o vinho.  

meta-regra da não-contradição: em um texto coerente, o que se diz depois não pode contradizer o que se disse antes.
Ex.: A garota era uma excelente bailarina. Seus passos eram de causar inveja e se encaixavam perfeitamente no ritmo da música.  

meta-regra da relação: em um texto coerente, seu conteúdo deve estar adequado a um estado de coisas no mundo real ou em mundos possíveis.
Ex.: Brenda morreu há poucos dias e foi enterrada mesmo com a ausência de sua dona.

Portanto, ao finalizar um texto, deve-se observar se todas essas regras foram contempladas. Se por acaso alguma delas faltar, conserte!, pois o texto só será totalmente coerente se todas essas meta-regras forem seguidas.



Leitura e Produção de Texto - 1º Bimestre (semana 4)

As regras da nova ortografia



Reforma Ortográfica

Não é de hoje que os integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) pensam em unificar as ortografias do nosso idioma. Desde o início do século XX, busca-se estabelecer um modelo de ortografia que possa ser usado como referência nas publicações oficiais e no ensino. No quadro a seguir tem-se, resumidamente, as principais tentativas de unificação ortográfica já ocorridas entre os países lusófonos. No Brasil, note que já houve duas reformas ortográficas: em 1943 e 1971. Assim, um brasileiro com mais de 65 anos está prestes a passar pela terceira reforma. Em Portugal, a última reforma aconteceu em 1945.


Cronologia das Reformas Ortográficas na Língua Portuguesa
Séc XVI até ao séc. XX - Em Portugal e no Brasil a escrita praticada era de caráter etimológico (procurava-se a raiz latina ou grega para escrever as palavras).
1907 - A Academia Brasileira de Letras começa a simplificar a escrita nas suas publicações.
1910 - Implantação da República em Portugal – foi nomeada uma Comissão para estabelecer uma ortografia simplificada e uniforme, para ser usada nas publicações oficiais e no ensino.
1911 - Primeira Reforma Ortográfica – tentativa de uniformizar e simplificar a escrita de algumas formas gráficas, mas que não foi extensiva ao Brasil.
1915 - A Academia Brasileira de Letras resolve harmonizar a ortografia com a portuguesa.
1919 - A Academia Brasileira de Letras revoga a sua resolução de 1915.
1924 - A Academia de Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras começam a procurar uma grafia comum.
1929 - A Academia Brasileira de Letras lança um novo sistema gráfico.
1931 - Foi aprovado o primeiro Acordo Ortográfico entre o Brasil e Portugal, que visava suprimir as diferenças, unificar e simplificar a língua portuguesa, contudo não foi posto em prática.
1938 - Foram sanadas as dúvidas quanto à acentuação de palavras.
1943 - Foi redigido, na primeira Convenção ortográfica entre Brasil e Portugal, o Formulário Ortográfico de 1943.
1945 - O acordo ortográfico tornou-se lei em Portugal, mas no Brasil não foi ratificado pelo Governo. Os brasileiros continuaram a regular-se pela ortografia anterior, do Vocabulário de 1943.
1971 - Foram promulgadas alterações no Brasil, reduzindo as divergências ortográficas com Portugal.
1973 - Foram promulgadas alterações em Portugal, reduzindo as divergências ortográficas com o Brasil.
1975 - A Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras elaboram novo projeto de acordo, que não foi aprovado oficialmente.
1986 - O presidente brasileiro José Sarney promoveu um encontro dos sete países de língua portuguesa - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe - no Rio de Janeiro. Foi apresentado o Memorando Sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
1990 - A Academia das Ciências de Lisboa convocou novo encontro juntando uma Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa – as duas academias elaboram a base do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. O documento entraria em vigor (de acordo com o 3º artigo do mesmo) no dia 1º de Janeiro de 1994, após depositados todos os instrumentos de ratificação de todos os Estados junto do Governo português.
1996 - O último acordo foi apenas ratificado por Portugal, Brasil e Cabo Verde.
2004 - Os ministros da Educação da CPLP reuniram-se em Fortaleza (Brasil), para propor a entrada em vigor do Acordo Ortográfico, mesmo sem a ratificação de todos os membros.

Nova Reforma Ortográfica -  Aspectos Positivos 

O Novo Acordo Ortográfico, em vigor desde janeiro de 2009, gera polêmica entre gramáticos, escritores e professores de Língua Portuguesa. Segundo o Ministério de Educação, a medida deve facilitar o processo de intercâmbio cultural e científico entre os países que falam Português e ampliar a divulgação do idioma e da literatura portuguesa. Dentre os aspectos positivos apontados pela nova reforma ortográfica, destacam-se ainda:
- redução dos custos de produção e adaptação de livros;
- facilitação na aprendizagem da língua pelos estrangeiros;
- simplificação de algumas regras ortográficas.

Nova Reforma Ortográfica -  Aspectos Negativos 

- Todos que já possuem interiorizadas as normas gramaticais, terão de aprender as novas regras;
- Surgimento de dúvidas;
- Adaptação de documentos e publicações.


Período de Adaptação
Mesmo entrando em vigor em janeiro de 2009, os falantes do idioma terão até dezembro de 2012 para se adaptarem à nova escrita. Nesse período, as duas normas ortográficas poderão ser usadas e aceitas como corretas nos exames escolares, vestibulares, concursos públicos e demais meios escritos. Em Portugal, cerca de 1,6% das palavras serão alteradas. No Brasil, apenas 0,5%.


Atualização dos Livros Didáticos
De acordo com o MEC, a partir de 2010 os alunos de 1º a 5º ano do Ensino Fundamental receberão os livros dentro da nova norma - o que deve ocorrer com as turmas de 6º a 9º ano e de Ensino Médio, respectivamente, em 2011 e 2012.


Reforma na Escrita
Por fim, é importante destacar que a proposta do acordo é meramente ortográfica. Assim, restringe-se à língua escrita, não afetando aspectos da língua falada. Além disso, a reforma não eliminará todas as diferenças ortográficas existentes entre o português brasileiro e o europeu.



A Prática da Escrita


Embora a prática da escrita não se limite ao espaço escolar, é neste que na maioria das vezes os indivíduos desenvolvem — ou não, com repercussões no cotidiano e na vida profissional — as habilidades e competências necessárias para o seu domínio. Ao longo do processo histórico, a prática da escrita se materializou na Escola como “redação”, como um “produto” a ser entregue ao professor, conforme a tradicional tipologia (descrição, narração e dissertação). Trata-se de um produto, porque a redação, mais ou menos reduzida a suporte protocolar de um gênero textual, frequentemente é solicitada ao aluno sem o estabelecimento de um objetivo e um contexto bem definidos. A presente aula tem como escopo expor em linhas gerais o problema e apresentar estratégias para sua superação, de acordo com a reflexão dos principais teóricos sobre a questão.


Leitura e Produção de Texto - 1º Bimestre (semana 3)

Língua portuguesa ou língua brasileira?


No decorrer de uma pesquisa com professores de Língua Inglesa, que visava verificar o conhecimento que eles tinham sobre a gramática da Língua Portuguesa, percebi que, muitas vezes, tais professores se apoiavam na idéia linguística na qual se afirma que o importante é comunicar. Vários deles afirmaram que “não era necessário ter um bom conhecimento da gramática da Língua Portuguesa porque eles trabalhavam com outro idioma e, por causa disso, não seria tão importante ter tal conhecimento”.“Ensinar Português é tentar convencer o aluno de que todas as formas de uso da língua – fonéticas, morfológicas, sintáticas, semânticas, lexicais –, divergentes daquelas apresentadas na gramática normativa, constituem erros, são “língua de índio”, são “fala estropiada”, ou simplesmente não são português”. 

Esta é uma fala de Marcos Bagno, Doutor em Linguística, em seu livro “Português ou Brasileiro? Um convite à Pesquisa”, e que é um dos defensores radicais da idéia de que, no Brasil, já não falamos Português, mas o Brasileiro. Primeiramente há de se definir exatamente quais são os professores que, de fato, fazem isso e quais são os professores que ensinam língua portuguesa de forma coerente e consciente, jamais separando a língua do aluno da língua da escola. 

Marcos Bagno afirma categoricamente que não se deve ensinar Português, mas o Brasileiro.A questão maior é que o idioma oficial do Brasil ainda não é o Brasileiro, mas o Português. A sociedade cobra o uso da língua portuguesa. Todos os órgãos oficiais que usam a redação utilizam a língua portuguesa. Tenho que confessar que fiquei com um certo receio de que os professores atuais, quase todos os entrevistados têm idade para terem terminados seus cursos na era da divulgação da Linguística, tivessem sofrido o velho processo de radicalização em prol da Linguística e contra a Gramática.Bagno também afirma que nossa língua está – sempre, e isso nós todos sabemos – em evolução e que daqui a quinhentos anos ela poderá ser chamada de Brasileiro e que temos de lutar para nos livrarmos do peso da colonização, que já duram outros quinhentos anos.

Não acho que o peso da colonização seja fator que determine nosso idioma, ou que tenhamos que evoluir para um outro idioma – o Brasileiro – para sentirmo-nos totalmente independentes. Temos, na história mundial, outros exemplos de países que nasceram como colônias, emanciparam-se, tornaram-se independentes, mas nem por isso tiveram que mudar de idioma para que essa independência fosse real e totalmente sentida pos seus povos. A potência Estados Unidos da América, por sinal, manteve o idioma de sua antiga pátria-mãe, a Inglaterra, e hoje, nas relações internacionais, mesmo a Rainha-Mãe tem de se comunicar no bom Inglês, não por este ser seu idioma, mas por ser esta a língua mundial imposta pela superpotência. 

Sem dúvidas que, hoje, se o Brasil ocupasse a mesma posição que os Estados Unidos ocupam no cenário mundial, líder econômico, e militar – a força traz o poder, que traz mais força – e eles a nossa, o mundo – e também eles – se curvaria e teria sim que aprender o nosso bom e velho Português. Neste caso, não teríamos que vislumbrar um idioma cem por cento nacional. Cem por cento nacionais são o aipim, a mandioca, a macaxeira…“Se farinha fosse americana e mandioca importada, o banquete de ‘bacana’ era farinhada”.

É evidente que o mais importante é comunicar, mas não podemos simplesmente fechar os olhos para a Gramática e usar o Português – ou “criar” um Brasileiro – sem que haja um mínimo de respeito pela mãe de todas: a Gramática. Sim, pois a Linguística só nasce a partir de um estudo sério e criterioso da Gramática!E viva a Linguística!



Gramática e vida


Gramática tem como objetivo regular o uso da língua, constituindo um conjunto de normas que orientam o uso padrão-culto da língua.
A língua, por ser viva, passa constantemente por transformações, o que causa distanciamento entre aquilo que se realmente pratica e aquilo que as normas estabelecem, porém, nem por isso a gramática deve ser ignorada, uma vez que existe uma norma culta que deve ser conhecida e considerada por todos.


Podemos considerar alguns tipos de Gramática:

Gramática Normativa – normas predeterminadas, comum a todos os usuários da língua; nela, somente a variedade padrão é valorizada.

Gramática histórica – refere-se à história interna da língua, descrevendo as mudanças que a língua sofreu no decorrer do tempo, assim como sua evolução.

Gramática Internalizada – conjunto de regras que o falante utiliza para se comunicar, de maneira que é possível compreender as frases e as sequências das palavras, identificando como pertencentes a uma determinada língua; sem ensino convencional.

Gramática descritiva – descreve as regras de como uma língua é falada, explicitando as que são realmente usadas pelos falantes no dia a dia.



Divisão da Gramática

Sabe-se que a língua é um sistema tríplice: compreende um sistema de formas (mórfico), um sistema de frases (sintático) e um sistema de sons (fônico). Por essa razão, a Gramática tradicionalmente divide-se em:

Morfologia - abrange o sistema mórfico.

Sintaxe - enfoca o sistema sintático.

Fonologia/Fonética - focaliza o sistema fônico.



Leitura e Produção de Texto - 1º Bimestre (semana 2)

A leitura para além da decodificação


RESUMO

A leitura é uma das habilidades mais importantes e fundamentais que podem ser desenvolvidas pelo ser humano. É a partir da leitura de mundo que o aluno pode compreender a realidade em que ele está inserido e chegar a importantes conclusões sobre o seu mundo e os aspectos que o compõem. A habilidade de leitura é essencial e dá suporte para o estudo de outras áreas do conhecimento. Ao estudar matemática, a criança terá que realizar a leitura de sinais, de números existentes em uma determinada situação, bem como a leitura dos enunciados das questões propostas nas atividades. Já em história, ela irá se encontrar com um universo de palavras que caracterizam uma época, um acontecimento. Sendo capaz de realizar uma leitura proficiente desse contexto, ela não só compreenderá o passado, como também poderá estabelecer paralelos sobre a época estudada e a realidade atual. As habilidades de leitura vão muito além de uma simples decodificação, na verdade, vão além da própria compreensão do que foi lido. Mas quais são os conhecimentos e habilidades de leitura que o aluno deve ter? A habilidade que se deve ter de leitura não é somente traduzir sílabas ou palavras (signos lingüísticos), em sons, isoladamente (a decodificação). É sobre as habilidades de leitura e as etapas de leitura que abordaremos neste trabalho.
Palavras-chave: Habilidades de Leitura. Etapas de Leitura. Leitura no Livro Didático.


INTRODUÇÃO

O presente artigo tem como objetivo abordar aspectos que fazem parte do desenvolvimento das habilidades de leitura dos alunos, em especial, do 2º ciclo do ensino fundamental em que os alunos ainda estão num processo de alfabetização. Habilidades que possibilitam o aluno compreender não só as tarefas em língua portuguesa, e sim, outras disciplinas. Na verdade, o aluno compreende não apenas o contexto escolar, mas o contexto de sua própria vida e do mundo contemporâneo.
A leitura é uma das habilidades mais importantes e fundamentais que podem ser desenvolvidas pelo ser humano.
É a partir da leitura de mundo que o aluno pode compreender a realidade em que ela está inserida e chegar a importantes conclusões sobre o seu mundo e os aspectos que o compõem.
A habilidade de leitura é essencial e dá suporte para o estudo de outras áreas do conhecimento. Ao estudar matemática, a criança terá que realizar a leitura de sinais, de números existentes em uma determinada situação, bem como a leitura dos enunciados das questões propostas nas atividades. Já em história, ela irá se encontrar com um universo de palavras que caracterizam uma época, um acontecimento. Sendo capaz de realizar uma leitura proficiente desse contexto, ela não só compreenderá o passado, como também poderá estabelecer paralelos sobre a época estudada e a realidade atual.
As habilidades de leitura vão muito além de uma simples decodificação, na verdade, vão além da própria compreensão do que foi lido.
Mas quais são os conhecimentos e habilidades de leitura que o aluno deve ter?
A habilidade que se deve ter de leitura não é somente traduzir sílabas ou palavras (signos lingüísticos), em sons, isoladamente (a decodificação), é muito mais que isso, a boa leitura deve passar pelas seguintes etapas:

1º - Decodificar;
2º - Compreender;
3º - Interpretar, e
4º - Reter.


AS ETAPAS DE LEITURA

“No processo de leitura, ocorrem, pelo menos, quatro etapas, segundo uma visão psicolingüística: decodificação, compreensão, interpretação e retenção”. (Cabral, 1986).


A decodificação

O aluno primeiramente decodifica os símbolos escritos. É uma leitura superficial que, apesar de incompleta, é essencial fazê-la mais de uma vez num mesmo texto. É o momento em que o aluno deve anotar as palavras desconhecidas para achar um sinônimo, passo importante para passar para a próxima etapa de leitura, a compreensão do que foi lido.

Segundo Menegassi (1995, p. 87)

Na decodificação, há a ligação entre o reconhecimento do material lingüístico com o significado que ele fornece. No entanto, ‘muitas vezes a decodificação não ultrapassa um nível primário de simples identificação visual’, pois se relaciona a uma decodificação fonológica, mas não atinge o nível do significado pretendido

Segundo Angela Kleiman (1993 apud MENEGASSI; CALCIOLARI, 2002, p. 82), "as práticas de leitura como decodificação não modificam em nada a visão de mundo do leitor, pois se trata apenas de automatismos de identificação e pareamento das palavras do texto com as palavras idênticas em uma pergunta ou comentário”.


A compreensão

Após passar pela etapa da decodificação, o aluno deve captar o sentido do texto lido. Deve saber do que se trata o texto, qual a tipologia usada, compreender o que o autor pretendeu passar e ser capaz de resumir em duas ou três frases a essência do texto.

Nas questões referentes à essa etapa, as respostas podem ser encontradas literalmente no próprio texto, ou escritas de outra forma, porém estão explícitas no texto.

Para Leffa (apud MENEGASSI; CALCIOLARI, 2002, p. 85), “ler é interagir com o texto, considerando-se o papel do leitor, o papel do texto e a interação entre leitor e texto”.

A respeito disso, Menegassi; Calciolari (2002) complementa que “nesse caso, a compreensão só ocorre se houver afinidade entre o leitor e o texto; se houver uma intenção de ler, a fim de atingir um determinado objetivo.”


A interpretação

Na terceira etapa da leitura, o aluno deve interpretar uma seqüência de idéias ou acontecimentos que estão implícitas no texto.

O aluno não encontrará facilmente as respostas no texto se não o compreendeu, pois apenas com uma boa compreensão o aluno conseguirá interpretar sentidos do texto que não estão escritos literalmente.

O educador e escritor Rubem Alves nos diz que:

Na vida estamos envolvidos o tempo todo em interpretar. Um amigo diz uma coisa que a gente não entende. A gente diz logo: "O que é que você quer dizer com isso?". Aí ele diz de uma outra forma, e a gente entende. E a interpretação, todo mundo sabe disso, é aquilo que se deve fazer com os textos que se lê. Para que sejam compreendidos. Razão por que os materiais escolares estão cheios de testes de compreensão. Interpretar é compreender. (ALVES, 2004)

Quando o professor lê um texto com os alunos e faz a seguinte pergunta: “o que o autor quis dizer com isso?”, está fazendo o início de uma interpretação, porém o aluno terá primeiro que conhecer o texto e compreendê-lo, assim terá condições suficientes para fazer uma boa interpretação.


A retenção

Nessa última etapa, o aluno deve ser capaz de reter as informações trabalhadas nas etapas anteriores e aplicá-las: fazendo analogias, comparações, reconhecendo o sentido de linguagens figuradas ou subtendidas, e o principal, aplicar em outros contextos refletindo sobre a importância do que foi lido fazendo um paralelo com seu cotidiano, aprendendo com isso, a fazer suas próprias análises críticas.

A última etapa no processo de leitura (...) é a retenção, que diz respeito ao armazenamento das informações mais importantes na memória de longo prazo. Essa etapa pode concretizar-se em dois níveis: após a compreensão do texto, com o armazenamento da sua temática e de seus tópicos principais; ou após a interpretação, em um nível mais elaborado. (MENEGASSI, apud MENEGASSI; CALCIOLARI, 2002 p. 83)

Apesar de toda essa preocupação com as habilidades de leitura, na escola, ela deve ser uma aprendizagem e não uma técnica resultante de uma mecanização ou receita a ser seguida. Deve ser uma ação do aluno refletindo, levantando hipóteses e se interando sobre o objeto de conhecimento. Certos “tabus” instituídos pelo poder dominante do professor, que define leituras como próprias ou impróprias, devem ser extintos da sala de aula. E para que esses “tabus” sejam extintos é preciso lembrar que:

um primeiro princípio para a construção de uma nova pedagogia da leitura diz respeito ao conhecimento, pelo professor, das circunstâncias de vida dos alunos e à recuperação, como ponto de partida, das suas experiências vividas. (SILVA, 1998, p. 26)

O que o professor deve fazer é conhecer seus alunos no que diz respeito ao seu estilo de vida, culturas e ideologias; e tomar como ponto de partida as várias experiências vividas pelos alunos. Essa é a base de uma preparação da aprendizagem de leitura, não esquecendo de valorizar as opiniões e gostos desses alunos.

A maneira como a escola conduz o aluno à leitura, através do bê-a-bá, pode acarretar sérios problemas para a formação do leitor. O reconhecimento das famílias silábicas, como das letras, faz parte do processo de decifração e não da leitura, como comumente se pensa. (VILAR, 2001)

A leitura, na escola, não serve para aprender a ler, e sim, para aprender outras coisas, serve para treinar a pronúncia dos alunos na língua materna e para ensinar gramática; tornando-se uma atividade secundária com apenas alguns poucos minutos de dedicação.

Tem como objetivo sanar os problemas de escrita, considerados mais importantes, possuindo a concepção de que "a melhor coisa que a escola poderia oferecer aos alunos é a leitura (...) se um aluno não se sair bem nas outras atividades, mas for um bom leitor, a escola já cumpriu grande parte de sua tarefa". (CAGLIARI, 1996)

Alunos e professores estão acostumados a usarem a leitura para vários fins, menos para o que, realmente, ela serve.

Os alunos lêem para depois “copiar” o que uma personagem disse, ou o que o autor disse; lêem para procurar “erros” de ortografia ou para observar no texto o que eles aprenderam nas aulas de gramática, ou lêem para responder à uma chamada oral do professor, para poder provar que leu o que ele pediu.

Mas esse não é o objetivo dos livros, a leitura serve para formar leitores pensantes e críticos que saibam resolver problemas novos e jamais vividos. Não basta copiar o que o autor disse, tem que formular suas próprias idéias para defender ou criticar o autor, ou aplicar o novo conhecimento ao seu cotidiano.


Competências de Leitura

O gosto pela leitura nem sempre surge do nada. Apesar de algumas crianças terem o gosto pela leitura sem ser imposto pelo professor, elas são a minoria, e já foi comprovado que depende da influência dos pais.

O professor, depois dos pais, tem o papel principal e mais importante no desenvolvimento de hábitos e habilidades de leitura dos alunos, porém, não deve ser autoritário a ponto de escolher sozinho o que seus alunos devem ou não ler. O professor deve levar em conta as diversidades dentro da sala de aula e valorizar os gostos e opiniões formadas pelos alunos.

Mas, ler e escrever é um compromisso só do professor de língua portuguesa ou também dos professores das outras áreas do conhecimento?

Esse é um ponto em que se deve insistir muito hoje, a tendência é julgar que cabe ao professor de Português ensinar a desenvolver habilidades de leitura e de escrita. Freqüentemente, professores das outras disciplinas se queixam com o professor de Português de que os seus alunos não estão sabendo compreender o problema de Matemática, o texto de História, o texto de Ciências. Na verdade, essa competência, essa responsabilidade não é só do professor de Português, nem o professor de Português é inteiramente competente para desenvolver habilidades de leitura de um problema de Matemática, por exemplo. Porque tem uma terminologia específica, tem uma forma específica de se apresentar, como o livro de Ciências, como o livro de Geografia. Não é o professor de Português quem vai ensinar um aluno a ler um mapa, nem quem vai ensinar a ler um gráfico. Isso são atribuições específicas dos professores que trabalham com essas formas de escrita. Então, cabe a eles desenvolver essas habilidades de leitura e de escrita também. Escrever um texto de História, ou de Ciências, não é a mesma coisa que escrever uma crônica, se o professor de Português pede uma crônica. São gêneros diferentes, cada área de conteúdo tem um tipo específico de texto que cabe ao professor dessa área ensinar o aluno a escrever ou a ler. Mas, essa é uma questão que tem sido difícil, porque os professores de outras áreas que não Português não têm recebido formação na área de leitura, isso seria necessário, introduzir na formação desses professores alguma disciplina, enfim, alguma formação na área de leitura e produção de texto para que eles pudessem trabalhar com isso. (SOARES, 2002).


Para despertar o gosto pela leitura nos alunos, eles devem ter a autonomia de escolher o que quer ler, o que na maioria das vezes são livros de literatura infanto-juvenis.


Leitura e Produção de Texto - 1º Bimestre (semana 1)

Concepção de língua e implicações para a produção textual



Mikhail Bakhtin, o filósofo do diálogo

Mikhail Bakhtin dedicou a vida à definição de noções, conceitos e categorias de análise da linguagem com base em discursos cotidianos, artísticos, filosóficos, científicos e institucionais. Em sua trajetória, notável pelo volume de textos, ensaios e livros redigidos, esse filósofo russo não esteve sozinho. Foi um dos mais destacados pensadores de uma rede de profissionais preocupados com as formas de estudar linguagem, literatura e arte, que incluía o linguista Valentin Voloshinov (1895-1936) e o teórico literário Pavel Medvedev (1891-1938).

Um dos aspectos mais inovadores da produção do Círculo de Bakhtin, como ficou conhecido o grupo, foi enxergar a linguagem como um constante processo de interação mediado pelo diálogo - e não apenas como um sistema autônomo. "A língua materna, seu vocabulário e sua estrutura gramatical, não conhecemos por meio de dicionários ou manuais de gramática, mas graças aos enunciados concretos que ouvimos e reproduzimos na comunicação efetiva com as pessoas que nos rodeiam", escreveu o filósofo.

Segundo essa concepção, a língua só existe em função do uso que locutores (quem fala ou escreve) e interlocutores (quem lê ou escuta) fazem dela em situações (prosaicas ou formais) de comunicação. O ensinar, o aprender e o empregar a linguagem passam necessariamente pelo sujeito, o agente das relações sociais e o responsável pela composição e pelo estilo dos discursos. Esse sujeito se vale do conhecimento de enunciados anteriores para formular suas falas e redigir seus textos. Além disso, um enunciado sempre é modulado pelo falante para o contexto social, histórico, cultural e ideológico. "Caso contrário, ele não será compreendido", explica a linguista Beth Brait, estudiosa de Bakhtin e professora associada da Universidade de São Paulo (USP) e da Pontifícia Universidade Católica (PUC), ambas na capital paulista.

Nessa relação dialógica entre locutor e interlocutor no meio social, em que o verbal e o não-verbal influenciam de maneira determinante a construção dos enunciados, outro dado ganhou contornos de tese: a interação por meio da linguagem se dá num contexto em que todos participam em condição de igualdade. Aquele que enuncia seleciona palavras apropriadas para formular uma mensagem compreensível para seus destinatários. Por outro lado, o interlocutor interpreta e responde com postura ativa àquele enunciado, internamente (por meio de seus pensamentos) ou externamente (por meio de um novo enunciado oral ou escrito).



Linguagem como Interação

A linguagem se constitui no encontro de pessoas:
  • em um dado contexto
  • em uma situação comunicativa
  • com um dado propósito social
A produção linguística não parte de si e não se esgota em si: ela vem das vozes sociais e pede uma contra palavra.
Produção textual: a tensão entre a palavra neutra, a palavra do outro e a minha palavra.


Relação entre Modalidades Linguísticas

Escrita/Fala
  • o que dizer
  • porque dizer
  • para quem dizer
  • como dizer
Leitura/Escuta
  • gera perguntas
  • gera respostas
  • amplia o que dizer
  • amplia o como dizer



Letramento: do conceito às implicações sociais e pedagógicas


Opinião: Analfabetismo funcional

"No Brasil, há aproximadamente 14 milhões de analfabetos absolutos e um pouco mais de 35 milhões de analfabetos funcionais, conforme as estatísticas oficiais", afirma Vicente Vuolo

Fonte: Diário de Cuiabá (MT)


São duas as formas de Analfabetismo. Há o Analfabetismo absoluto e o Analfabetismo funcional. O primeiro refere-se àquelas pessoas que não tiveram acesso à Educação, nunca puderam ir para a Escola por mais de um ano.

O Analfabetismo funcional por outro lado, segundo definição da UNESCO, "uma pessoa funcionalmente analfabeta é requerida para uma atuação eficaz em seu grupo e comunidade, e que lhe permitem, também, continuar usando a leitura, a escrita e o cálculo a serviço do seu próprio desenvolvimento e do desenvolvimento de sua comunidade".

No Brasil, há aproximadamente 14 milhões de Analfabetos absolutos e um pouco mais de 35 milhões de Analfabetos funcionais, conforme as estatísticas oficiais. Segundo dados do IBOPE (2005), o Analfabetismo funcional atingiu cerca de 68% da população. O censo de 2010 mostrou que um entre quatro pessoas são analfabetas funcionais (porcentagem é de 20,3%). O problema maior está na Região Nordeste, onde a taxa chega a 30,8%.

Em 2012, o Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa divulgaram o Indicador de Analfabetismo Funcional (INAF) entre estudantes universitários do Brasil e este chega a 38%, refletindo o expressivo crescimento de universidades de baixa qualidade durante a última década. Em alguns países desenvolvidos esse índice é inferior a 10%, como na Suécia, por exemplo.

Apesar da evolução positiva nos últimos anos, o quadro brasileiro é preocupante. Existem vários níveis de Alfabetização funcional: aqueles que apenas conseguem ler e compreender títulos de textos e frases curtas; e apesar de saber contar, têm dificuldades com a compreensão de números grandes e em fazer as operações aritméticas básicas. Outros, que conseguem ler textos curtos, mas não conseguem extrair informações esparsas no texto e não conseguem tirar uma conclusão a respeito do mesmo. E por fim, aqueles que detêm pleno domínio da leitura, escrita, dos números e das operações matemáticas (das mais básicas às mais complexas), que são minorias.

Esses índices tão altos de Analfabetismo funcional devem-se à baixa qualidade dos sistemas de Ensino público, ao longo de décadas.
De acordo com estudos do pesquisador Antenor França Júnior, da Universidade Federal do Paraná, apresentado em 2013, um amplo conjunto de medidas é necessário para reverter essa situação no Brasil. Maior abrangência de programas sociais que envolvam distribuição de renda, valorização de Professores e incentivos aos estudos são algumas das medidas necessárias.

O pesquisador mostra que o programa da Venezuela proporciona ao estudante a possibilidade de continuar os estudos até a universidade. Além disso, conta com formação voltada para o trabalho. Usando uma metodologia desenvolvida em Cuba, denominada "Yo sí puedo", o programa da Venezuela conseguiu alfabetizar cerca de 1,5 milhão de pessoas. Já no Brasil, o programa de erradicação do Analfabetismo apresenta números desfavoráveis. Ainda há cerca de 14 milhões de Analfabetos.

Para melhorar esse quadro, precisamos impulsionar nas Escolas políticas públicas onde as Escolas devem atender a diversidade, através de planos de ação que valorizem as habilidades e potencialidades de cada um. Ou seja, identificar o que cada um tem de potencial, em que pode colaborar com as experiências. Trabalhar a motivação dos Alunos, dando oportunidade aos mesmos. Sem deixar, é claro, de levar em conta a realidade social em que cada um vive. Quilombolas, por exemplo.

Segundo o conceituado Padre José Carlos Brandi Aleixo, jesuíta e Professor da Universidade de Brasília, o Analfabetismo não pode ser considerado uma doença individual e o Analfabeto não pode ser tratado de forma discriminatória, como se não servissem para nada. Disse Aleixo: "Eles são tão inteligentes; no início da civilização, foram os Analfabetos que ensinaram a alfabetizar os povos".

A verdade é que hoje, o Brasil está tendo que importar mão de obra para a indústria porque faltam trabalhadores qualificados. Isso tudo, porque o nosso Analfabetismo funcional é altíssimo.

É preciso repensar essa realidade!

*VICENTE VUOLO é economista (UnB), pós-graduado em ciência política (UnB), ex-vereador em Cuiabá e analista legislativo do Senado Federal